"Não basta bater na porta. É preciso bater até abri-la" (sábio desconhecido)
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Guilherme Scarpa
Rio de Janeiro, Brazil
Sem julgamento, noção, ou conclusão, sigo escrevendo com paixão sobre tudo aquilo que absorve a minha aflita existência do cão.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Notícias de Amanhã (Dela)

Faz diferente esse ano.
Reinventa, vira do avesso.
Espanta essa melancolia
E esquece da tristeza.
Amanhã o dia é seu,
Todinho seu.
Então, comemora!
Não se amaldiçoa.
Celebra a vida que corre nessas veias.
Concentra no amor, na paz, na alegria.
Acorda com isso,
Sai vestida de felicidade.
Não pensa no que não pode fazer.
E sim no que te dá prazer.
Dá chance ao acaso.
Não se programa,
Apenas derrama
O melhor que carrega.
E enfrenta, sem medo,
O dia depois de amanhã.

sábado, 21 de novembro de 2009

Distrito Federal

É um lugar recente, prestes a completar 50 anos de existência, o que faz dela uma cidade interessante, ainda que esquisita. É planejada, desenhada, respira a arquitetura. Muitos viadutos, ruas, vias. E pouca gente nas ruas. Quase tudo é feito de carro. Mesmo o que parece estar perto, na verdade, não está. Mas há um céu que é maior que tudo. Não tem fim e parece mais próximo, devido a ausência de morros e montanhas que, aqui, não existem. O planalto é extenso. As estrelas, infinitas.
Quem vive em Brasília, parece gostar daqui. Há cheiro de política no ar. Todos tem posicionamentos, é uma coisa intrínseca, latente. Bonito de se ver. Por outro lado, falta glamour à capital do Brasil. Um certo ranso do interior ainda se faz presente. Algo de pretencioso também. O calor, a boca seca, e o excesso de melecas que isso causa. Onde estão os discos voadores?

sábado, 10 de outubro de 2009

Crônica de Plantão

Dessa vez acertou o login de primeira. Uma ânsia de escrever preencheu o vazio da solidão. Não. Na verdade, ocupou um espaço que estava vazio. Dia movimentado passou. Chegou o sossego do sábado preguiçoso. Apenas Nina Simone, o vento e a chuva sob a meia luz. Um certo encantamento consigo. Parece que estava com medo deste momento. Tentou de tudo ao longo da tarde. Pensou muito enquanto ia a Petrópolis verificar o desabamento de um barraco que matou quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, por conta da chuva que teima em continuar. Delícia de barulho para alguns, destruição para outros. Recusou os convites. Preferiu passar no supermercado. Ligou o gás do chuveiro, esperou aquecer. Antes, ouviu Bethânia. Colocou assim que botou os pés em terra firme. É de elemento terra, precisa fincar raízes para encontrar segurança. Fumou, bebeu Pepsi e acalmou. Parece conhecer o caminho pois consegue se divertir com toda a ausência.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Madrugada (em Laranjeiras)

Cabine daqui a menos de oito horas. Vai dormir pouco. Gastou-se no fim de semana e agora vai pagar uma segunda-feira, sempre um dia de catarse - seja lá qual for. Mas sente que vai dar tudo certo. Há um alívio dentro de si. Esperança que não morre nunca, mas com alguma preocupação. Sabe se lá qual. Deve passar, sempre passa. Mas agora é para valer. A mundança externa, geográfica, foi feita. Só falta a "afinação da interioridade".

sábado, 12 de setembro de 2009

O Presente

Estou vivendo há 12 dias em uma nova casa. É uma espécie de catarse na vida. Coragem fazer isso debaixo de um inferno astral. Minimizei o fato apenas. Sei de sua existência. E parece que deu tudo certo como eu esperava. Até este décimo segundo dia em Laranjeiras. Neste quarto com móveis laranjas, tapetes, persianas brancas e colchão de molas. Ansioso pelos próximos 1o dias? Sim.. Mas, na verdade, o aniversário deixou de ser uma data tão estimada. Claro que estou planejando mais uma festa. Nunca vou perder esta oportunidade. É que a diferença está justamente na postura em relação a isso. A insegurança passou e são os alicerces que interessam. Os que passaram e ficaram. E só.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

100 (diferentes) vezes

Num raro momento à toa no começo da noite de sexta-feira, lembrei que possuo um blog. Ele anda meio abandonado, é verdade, mas num esquecido por completo. Talvez tenha a ver com o egoísmo que carrego em mim, dizem alguns. Talvez não. O fato é que percebi que este é o post de número 100. E, como inaugurei este departamento em 2007, há dois anos, realmente andei escrevendo pouco, certo? Apenas 100 vezes e cada ano tem 364 dias normalmente. Devia estar no mínimo em torno dos 500... Mas tudo bem. Desisti do padrão há muito tempo. Abandonei as regras, fui me ocupando em rompê-las. E, claro, assumi outras vertentes da minha personalidade, sempre em busca de uma existência mais cômoda, fácil. Mas não virei anarquista por causa disso, graças a Deus. Apenas aprendi a ter jogo de cintura, manipular. O mundo pertence a esses, certo? E é redondinho, nunca se esqueça. Algum departamento mora na filosofia.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Parece até coisa de filme...

Era uma noite chuvosa. Atípica. Ninguém esperava muito. E por isso mesmo, fantástica. A água que escorria no rosto encontrou calor ao invés do frio. Dois corpos gelados pelo inverno de Botafogo, duas almas agora tão próximas, ligadas pelo acaso. Escorados um no outro, sabiam desde o começo, embora o instante impressionante ainda estivesse por vir. Para ele, viria com certa surpresa. Para ela, talvez. Na verdade, havia uma fila que parecia interminável no caminho. Passado o afago inicial, o ato viria pouco depois de vagar por aquela casa norturna. Agora com trilha sonora. Eram duas pistas, como de costume. Tantas histórias vividas naquele lugar, mas nenhuma como esta. Depois de muitas subidas e descidas, um momento único próximo ao bar no segundo andar. Uma troca de olhares. Um reencontro de desejos. E o beijo, logo depois daquele abraço forte, quente, aconteceu. E muitos outros, de tantos tipos, que fizeram qualquer ruído desaparecer. Agora havia apenas duas línguas e múltiplos sorrisos em plena interação, fulgás. Sem amanhã, aquilo era fruto do presente, de um instante impressionante. E logo terminou. Ela se foi, ele, não. A caminho de casa, no taxi, chegou a mensagem. Pelo menos, ele espera que sim. Quanto ao futuro, fica a interrogação... como deve ser.