- Guilherme Scarpa
- Rio de Janeiro, Brazil
- Sem uma verdade-conclusão, sigo escrevendo com paixão sobre tudo que absorve essa existência do cão.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Uma noite de verão em Botafogo
Caramba! Primeira postagem do ano com dois meses de atraso. Mas é que 2012 chegou uma força tão avassaladora e, ao mesmo tempo, contagiante. Não sei se isso tem a ver com tudo aquilo que dizem sobre o ano que, supostamente, o mundo deveria acabar. Talvez essa sensação de proximidade da extinção esteja inconscientemente nos influenciando. E, por isso, não há lamentos a serem feito. Pelo menos da minha parte. Acabo de parir mais um filho. Esse parece que já nasceu maior do que os outros. Pode ser empolgação do momento, mas é o que eu sinto e é o que me move todos os dias. Difícil não cair em descontentamento às vezes. Mas tudo parece ser tão passageiro e tem aparência de solução. Para cada perda uma compensação. São confortos tão seguros que até conseguem suprir qualquer ausência. Esse mundo que nunca para de girar e traz acertos de contas, revoluções, pacificações e atravessa muita turbulência no caminho. É a inveja gulosa, voraz, a dissecação da nossa alma quase que diariamente. Haja alho, pé de coelho, fitinha do Senhor do Bonfim e armas de Jorge para blindar os ataques. E o Brasil parece que vai bem também. Aquele papo de recessão, desemprego, deu uma certa trégua. Trinta anos se passaram. Três décadas eu atravessei. O número não me deprime. Acontece que os balancetes são latentes. É como se uma parte do quebra-cabeça estivesse perto de ficar completa e como se eu ficasse livre das peças que não se encaixam mais. Ainda que algumas delas sejam figurinhas repetitas. E, enquanto permanecem, eu continuo me desdobrando e me ferindo para que elas me queiram assim como sempre quero estar colado nelas.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Feliz Ano Velho
Fim de ano, fim de ciclo, fim de um tempo. Fim. O cerco vai se fechando e, com isso, apertando todos os parafusos que ainda estão precisando de uma regulagem na cuca. É assim que vamos repensando a vida e suas complexidades para podermos renascer e buscar um novo caminho, ou pelo menos uma ferramenta que sirva. Mudamos o tempo todo. Quem ficou preso ao ontem, apegado ao que já passou, certamente vai ter mais dificuldades. Mas fácil não é para ninguém. Repensar tudo o que aconteceu até agora, analisar todos os desdobramentos de uma ou várias situações ao mesmo cansa. Essa fadiga mental, e até espiritual às vezes, necessita de válvula de escape. Com a passagem sentimental do Natal, algumas angústias até desaparecem entre um pedaço e outro de chester, uma fatia de lombinho, batatas, farofa. E o álcool, é claro, sempre funciona como um bálsamo benigno para quem não se torna escravo dele. A bebida acompanha todos os eventos, os reencontros, potencializa os afetos, afasta a tristeza. E assim, sem entendermos bem o sentido das coisas, passamos por tudo isso... até recomeçarmos esse mesmo ritual anual. Não como no ano passado. Algumas questões mudam. Mas se acertamos aqui, erramos ali, ou revestimos um problema com outra fantasia, é sinal de que houve movimento. Pode ter havido até alguma evolução e, uma coisa que antes era fundamental, agora não se encaixa mais. É uma questão de tempo e espaço.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Maria Antonia
Estava sentado na praia vendo o Pacífico
E, sem que eu me desse conta da emoção,
O mar quebrou em ondas pelos meus olhos
Saudade em um ritmo alucinante e híbrido
E, sem que eu me desse conta da emoção,
O mar quebrou em ondas pelos meus olhos
Saudade em um ritmo alucinante e híbrido
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
En México
Hoje andei pela rua, observei os rostos, os gostos, o que bebiam, quanto pagavam. Comprei uma pasta de dente finalmente. Fiquei com medo de ser cola para dentadura. Não li direito o que estava escrito na embalagem, em espanhol, é claro. Não sei de onde, nem como, mas o pouco que armazeno neste cérebro-HD tem funcionado muy bien. Descobri que existe leite condensado na Colômbia, até feijoada eles fazem lá. Não me pergunte como cheguei a essa descoberta. Talvez por causa da profissão, desse vício de investigação. É que os interesses e assuntos acabam sendo os mesmos. Engraçado isso. É um lifestyle... o apreço pelos bons drinques, o vinho, a comida, a cultura. Ingerimos isso diariamente, involuntariamente. Mas por que recorremos sempre ao tempo quando existe uma falta de assunto? Não importa o idioma, é assim que uma conversa evolui ou não. Ainda não tenho uma opinião formada sobre o México, pero me gusta. Não posso negar a injeção de felicidade que me foi aplicada graças a essa viagem inusitada. Tem coisas que só o acaso faz por você. Para todas as outras ainda existe Mastercard. Não se engane: as melhores coisas da vida não são de graça. Elas custam alguns dólares, bajulação, oportunidade e muita habilidade. E também precisam de um empurrãozinho, lábia. Sabe como?
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Inquietação
Um pouquinho de angústia, muita preguiça, falta de sono, de papel higiênico, de amor. Tudo assim, juntinho, numa véspera de segunda-feira. Esse estado queixoso, típico de uma madrugada de domingo para segunda, parece não ter antídoto. A música que toca é até boa. As luzes da casa estão acesas... Antes que eu conclua o pensamento, sou interrompido por uma mensagem. Talvez aquela que resuma bem tanta inquietação, a que é mais frequente, a que me preocupa mais. Uma história que não está destinada a um happy end, mas que tem momentos felizes no trajeto, outros nem tanto. Mas amanhã vai ser outro dia. Quem sabe um milagre muda o rumo dessa prosa? Oremos.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Prisão Perpétua
Excitado, aceso, mas cansado também. O relógio do computador marca 5h11. Ao fundo, o som da televisão. Do outro lado das vidraças ainda é noite, bem escura. Alguns prédios piscam. Vejo meu reflexo em um dos vidros. Me sinto vazio, sem ter o que dizer. Estou em silêncio há algumas horas. Queria dormir, mas não posso. Só quando esse plantão terminar. Não precisei sair até agora. Não consegui fazer uma ligação sequer. Nem precisei. Eles fazem tudo e compartilham. Nenhuma urgência roubou a cena. Que bom, melhor assim. Ansioso para ir embora, agora falta apenas 1h45 para isso acontecer. Evitar olhar o relógio parece que acelera seus ponteiros. Mirá-lo é praticamente uma prisão perpétua. O que faço agora? Estou entre o hoje e o amanhã, virado. Um dia que só existe para mim, mas é escuro. Que termine logo!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Águas de Fortaleza
De repente, aqui, num ponto qualquer do 'Atlantic Ocean', de frente para esse mar tão infinito, largo, volumoso, profundo. Como é bom poder observá-lo com calma e apreciar sua beleza tão singular. O azul é emocionante. As caravelas estacionadas, uma onda à parte. Mansas, as àguas de Fortaleza acalmam os olhos e o coração. São estáveis, equilibradas, não quebram, não espumam. Que privilégio poder existir nesse lugar, nordeste do Brasil. Simplesmente estar.
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