"Enquanto houver champanhe há esperança" (Zózimo)
Minha foto
Rio de Janeiro, Brazil
Sem uma verdade-conclusão, sigo escrevendo com paixão sobre tudo que absorve essa existência do cão.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Na sexta-feira

É como se nada pudesse atingir, ainda que exista um tantinho de receio lá no fundo. Desapareceu e não retornou. Melhor não fazer muito alarde sobre isso. E não cavucar demais os pensamentos.

Amanhã é sábado e eu trabalho. Depois trabalho domingo, segunda, terça... e só terei folga na sexta-feira à noite (da semana que vem). Por isso, todo tipo de sensações podem ocorrer durante estes dias. E me permito a todas elas.

O sol da sexta-feira ainda é o mais perfeito. A cidade continua linda e (ainda) não possui coisas-bomba, sabe como? Homem-bomba, carro-bomba, avião-bomba, agora existe burro-bomba também.

É possível transitar com algum sossego por esse Rio de Janeiro tão necessitado de dias quentes de sol. E noites abafadas. Essa temperatura mexe com tudo. O corpo, a alma e... os desejos. Até com os computadores, que suam as suas CPUs e esquentam o rabo dos monitores.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Dias bipolares

Fora toda a inconstância do clima - quente demais ou chuvoso demais - há uma dualidade pairando em toda parte. Essa alternância tão esquista de humores. Tantos momentos, sensações. A hora custa a passar, mas, em alguns momentos, passa depressa demais também.

Olho para o relógio do computador e sei que quero sair. Está quase na minha hora. Um dia que começou com promessas positivas não fluiu como se esperava. Não é uma questão de expectativa apenas. Não funcionou. A angústia não se desfez. Que agonia! Um desconforto tão agudo, o peito tão pesado ainda.

Será que vai demorar muito a passar? Vou atravessar a rua para ver como fica. Talvez uma mudança de ambiente seja favorável. Trocar esse frio fake de ar condicionado pela ausência de brisa que está lá fora. Um pouco de calor talvez resolva. É claro que vai passar. Uma hora vai! Como num passe de mágica. E pronto! Desapareceu... mas pode retornar.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Madrugada

O "silêncio" da madrugada. Não tem um cão sequer latindo agora. Ouço apenas a brasa do cigarro queimando e o barulho do ventilador. Esta é a verdadeira primeira noite de primavera/verão, como não negam os termômetros que acusaram plenos 34 graus no começo da tarde. A lua é cheia e brilha lá fora. O esplendor deve acontecer amanhã ou depois. Por dentro, eu fiquei vazio por um instante. Tudo que eu sei fazer ou devo fazer desapareceu. Não sei como. Criatividade, atividade, radioatividade. Deve ter sido em uma destas manifestações. Os círculos que fazem os ventidalores de teto. Não só isso, o ruído. Ele quem rompeu a minha angústia. Pausou meus batimentos também. Me fez respirar, ainda que ofegante, cansado. Ainda há muito o que fazer pela frente. E em curto tempo. Já não tenho muito, essa é a verdade. Preguiça! Preguiça de pensar o que escrever. Fadiga, inércia, falta de iniciativa. Não! ...Iniciativa eu tenho, eu planejo muitas vezes. Mas, não executo. Deixo para amanhã ou depois. De última hora... ou, então, não faço nada. Adio. Finjo que não escuto. Pulo a pergunta, saio de perto, sumo da vista. Ah! Queria tanto desaparecer... ficar invisível talvez resolvesse. Mas não insignificante. Esse estágio não é fértil. Preciso de segurança e tudo que eu penso é descaminho. Ou melhor, caminho para outras partes, artes! A abstração da forma, a liberdade, o desejo. Não essa batalha hierárquica a qual me submeto diariamente para gerar notícia diariamente. Quero um dia 36. Fora do calendário, mas com lua cheia, feito essa que sobrevoa o telhado da minha casa nesta noite estranha de princípio de calor.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Enquanto isso...

Fico pensando em coisas chatas, tão chatas, que achei melhor não reproduzi-las aqui. Para quê entediar um possível leitor deste departamento?

Queria só ter uma outra identidade durante um dia inteiro. Pensar em outras coisas, outras pessoas, outros problemas, outras palavras. "We can be heroes, just for one day", já dizia Bowie. Mas, por hora, só posso executar um outro verso da música: "I'll drink all the time".

E não vou trabalhar amanhã! Tem coisa melhor? ...Tem. Mas é melhor focar no que é possível ser feito e não no que poderia acontecer. O resto cabe ao destino. Fui...

Afundado na lingerie

E o prêmio de melhor longa-documentário, por meio de voto popular, foi parar nas mãos de Paulo Henrique Fontenelle, diretor de 'Loki - Arnaldo Baptista', que eu vi domingo passado e saí do Odeon Petrobras com a certeza de que seria o vencedor desta categoria.

Quem se animar pode ler a minha review, que foi publicada esta semana no site Revista Paradoxo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ma(i)s louco é quem me diz...



Cinema e música são as expressões artísticas que mais têm capacidade de mexer comigo. São experiências absolutamente sensoriais, que dominam todo o corpo. Imagine unidas?
Ainda estou bestificado com o documentário 'Loki - Arnaldo Baptista', de Paulo Henrique Fontenelle, que tive oportunidade de assistir ontem.

O fim dos anos 60 é, desde sempre, um período que me interessa. Desde a época da escola, na verdade. É como se eu tivesse vivido lá. Senti isso com clareza quando fui vi, recentemente, Toni Tornado cantando "BR - 3". Um arrepio tomou conta dos meus poros quando projetaram imagens do Festival da Canção. Pode ser bobagem, mas há uma conexão. E tudo se repetiu ontem diante de tantas imagens preciosas daquele período, que o filme de Fontenelle apresenta.

A vida do controverso mutante é descortinada através de depoimentos do irmão Sérgio Dias, de Tom Zé, Lobão, Roberto Menescal, Liminha, entre outros. As imagens comunicam rápido, os plots ficam bem claros: o fenômeno dos Mutantes; a saída de Rita Lee; a loucura de Arnaldo, e sua salvação. O próprio pinta um quadro ao longo do documentário, que representa objetivamente os momentos que marcaram sua vida.

Não há espaço para pieguice ou dissimulação. Todos os participantes dão seus pontos de vista com muita sinceridade. As dúvidas são sanadas. Tudo que você não sabia sobre os Mutantes e sobre a persona de Arnaldo Baptista é desvendado. A história (louca) de um grande artista, sem a menor dúvida.

Veja o trailer:

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

...Nothing like the sun


O máximo que a minha memória musical consegue resgatar é o ano de 1987, quando eu tinha 4 para 5 anos. Antes disso, eu lembro de muito pouco. Claro, tinha o primeiro LP da Xuxa, o compacto de 'A View to a Kill', do Duran Duran, que, segundo a minha mãe, eu ouvia compulsivamente.

Mas fora isso, um disco marcou a minha infância. E resolvi falar sobre ele exatamente porque hoje é um dia feliz de sol. Ingrid, uma amiga da minha mãe que mora nos Estados Unidos, trouxe o "novo" CD (é, eu tinha CD player desde 1986, tá?) do Sting, '...Nothing Like The Sun', em janeiro de 88, se não me falha a memória.

Sei que '...Nothing Like The Sun' tocou ininterruptamente durante 1 ano ou mais na minha casa. E o melhor de tudo é que, 20 anos depois, o CD existe e está intacto. Minha mãe é fã de Sting desde sempre, tem todos os discos, DVDs, acompanha. Com ela, assisti ao show de Sting no Rock In Rio III, e sabiamos, é claro, cantar todas as músicas, inclusive as do então-disco-mais-recente, 'Brand New Day'.

Mas voltemos a 'We'll Be Together'. Essa foi a faixa que mais ouvi quando era criança. Não entendia porra nenhuma. Ou melhor, sabia apenas que significava, em português, "vamos ficar juntos" e nada mais. Gostava porque era a faixa mais animada. As outras eram muito densas, introspectivas. Este é o disco que tem 'Fragile', 'Englishman In New York' e um cover de Jimi Hendrix fantástico, 'Litte Wing', entre outras.

Vinte anos se passaram e continua sendo um dos meus discos prediletos. Ele só me traz boas recordações. Da minha mãe, especialmente. Foi ela quem educou, de forma incrível, os meus ouvidos e influenciou o meu gosto musical que, modéstia à parte, é muito rico.

Nada como o sol que brilha lá fora para acalmar o peito agoniado, aquecer o coração e resgatar o sorriso. "We'll be together...tonight!".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mecanismos


Sigo escrevendo. Que prazer interminável! E isso significa que sou alguém que (ainda) tem algo a dizer. Ou melhor, alguém que não pára de pensar um segundo sequer. Era nisso que eu estava pensando antes de me sentar em frente à tela.

São lapsos inesgotáveis de memória, preocupações, saudades e dores. E coço a cabeça. Olho para meu mural gigante, com tantas Madonnas de tantas épocas. Cada um carrega uma porção camaleônica dentro de si. Voltei da faculdade e me dei conta de que não sou o mesmo de 2005, quando ingressei lá.

Mantive muitas características, é claro, mas até o jeito de falar mudou. Os cabelos também. Consegui lembrar do primeiro dia de aula. Eu estava usando uma camisa cinza, de um tom bem escuro, quase preto. Era mais magro, bem mais magro, aliás. Naquela época, eu não comia macarrão à carbonara à 1h da manhã, eu acho (risos).

Cozinhava menos também, mas sonhava mais. Idealizava mais. Ainda carregava uma ingenuidade que foi rapidamente corrompida pelos estágios que freqüentei e pessoas pouco iluminadas com as quais cruzei. É engraçado como vamos aprendendo tantos mecanismos de defesa. Lembro sempre da Karla: "são feridas que vão criando casquinhas, chega uma hora que você criou tantas, que acaba protegido".

Realmente, é difícil eu me surpreender com alguma coisa ou alguém hoje em dia. Não preciso de mais de dois dias para sacar uma situação ou um comportamento e visualizar aonde isso vai acabar.

Uma coisa importante: a memória costumava ser melhor também, naquela época. Às vezes, esqueço o que fiz há dois dias atrás. Não deixa de ser um desapego, gosto de encarar assim. Mas o que ficou lá trás é difícil de esquecer.

E são esses pensamentos que, volta e meia, surgem, sem cerimônia. Apenas acontecem e se repetem involuntariamente. Se eu queria voltar no tempo? Acho que não. Meu presente é reflexo do meu passado. Se voltasse no tempo, costruiria outras coisas e teria que lidar com elas agora. Seria como trocar seis por meia dúzia.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um Domingo Qualquer

Uma lata de Coca-Cola vazia, o jornal espandongado e o celular morto. Não tive qualquer ânimo para recarregar sua bateria. E para me recarregar? Sinto como se ainda tivesse dois dedinhos de bateria, mas também sei que eles não vão conseguir me guiar até o Estação Vivo Gávea para que eu assisa ao documentário "Eu Sou Porque Nós Somos", produzido por Madonna.

Sair do plantão neste domingo tão cinza para ver de perto toda a pobreza do Malauí, na Africa? As 12 milhões de crianças infectadas pela Aids? Muito triste... Mas, a verdade é que eu não devia ter bebido uma garrafa inteira de vinho ontem. Não é exatamente uma ressaca, não estou com dor de cabeça, por exemplo.

Vivo um transe. Paro, observo a quantidade de janelas que estão abertas na tela do computador. A cada hora, descubro que mais pessoas morreram em ataques de carro-bomba em Bagdá. O que não deixa de ser reconfortante, porque o Rio, com toda a violência, não chega aos pés da capital iraquiana.

E morre tanta gente. Morrem e matam "gratuitamente" naquelas terras. Eu fico pensando que o Iraque vai simplesmente acabar um dia. Mas o meu tédio... não! A dúvida do cinema ainda me tortura. Afinal de contas, ganhei uma credencial para o Festival do Rio e devo utilizá-la. Ainda mais que não vou ter que entrar numa fila para adquirir ingressos tão disputados a tapa.

Agora vi os ladrilhos transparentes de uma das paredes aqui da redação. É natural que sua luz esteja desaparecendo. São 17h31! O domingo já começa a morrer para dar lugar à ânsia de mais uma segunda-feira. Comer ou fumar? Os dois? Ainda não tenho certeza, mas acho que vou dar uma volta por aqui mesmo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Entre a cadeira e o monitor

Em meio à devastação do furacão "Ike", os bombardeiros russos da Venezuela e a menininha de 4 anos que foi assassinada pelo avô vacilão em Israel, existe vida, sim. Por cima dos escombros que se tornaram as minhas idealizações, sigo debaixo do sol que não me nega energia. Saí com a sensação de que precisava fazer alguma modificação, qualquer uma.
Comecei pela mais simples: depois de meses e meses sentando do lado direito do ônibus, na minha Via Crucis diária, entre Niterói e Rio, decidi me sentar do lado esquerdo do possante. Não foi A MUDANÇA da minha vida, mas despertou percepções. Ainda mais quando começou a tocar o disco "Racional", de Tim Maia, no mp3. "Uh uh uh, que beleza...". rs
...Há sempre aquela tendência de barbarizar mais um pouco os fardos diários. Mas também sei que é preciso manter os pés no chão - o que não é difícil para uma criatura de elemento Terra. Quando descobri que o sol também brilha do outro lado, deixei de dar tanta exclusividade a apenas um dos lados da moeda.
Só estou esperando o maldito inferno astral parar de provocar tantos questionamentos. Queria nascer de novo e logo. Sem esse estranhamento todo. Sabe como? Pois é... Voltei a escrever, Paulo Senna. God bless!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Constatações


Fim.
Não, na verdade é o início. Como eu já sabia de tudo que ia acontecer, fui me preparando. É um processo que utilizo há tanto tempo. Não sei quando foi a primeira vez, mas, desde que aconteceu, é inevitável. Se a previsão é de tempo chuvoso, eu deixo um guarda-chuva por perto. Ou não. Também posso me acostumar com a idéia de ficar todo molhado. Não faz muita difença. O que importa é a intuição. E a minha costuma falhar pouquíssimo. Ainda mais quando descobrimos que, quando é para sempre, sempre acaba. Um dia acaba. E se vai acontecer, é sinal de transformação.
Não consegui derramar uma lágrima. Nada. Ficou um silêncio desconfortável, uma inquietação, e só. Uma só explosão. Eu também sou desses que só explode de vez em quando. O problema é a devastação. Voa merda na cara de todo mundo. Queria explodir aos poucos, guardar menos. Mas e a tolerância. Ela reside no cerne da engolição de sapos. Tolerar significa aturar alguma coisa desagradável. Um exercício de paciência que nem Jó dá conta.
Mas eu não prometi que seria um monge. Tudo bem que posso ter agido como tal muitas vezes, mas isso não é um estágio permanente. Há adrenalina, combustão no processo. E agora? Nada de novo. Nada de especial. Tudo cotidiano, simples, funcional. Sem emoção, surpresas. As constatações são todas previsíveis, óbvias. Acho que mais nada vai me assustar. Nem vivi tanto tempo assim, mas alcancei essa comprensão tão depressa. Talvez porque tenha optado por viver intensamente em curto período de tempo. Já não sou o mesmo do almoço. Imagina aquele de antes... puro movimento.
Vamos ver para onde vai o deslocamento. Será que rola remendo? Ainda há muito o que aprender. Veremos. Saudades do futuro.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Matar ou Morrer? Matar!

Passei por novo processo 'Fênix' na semana passada. Pensei que fosse morrer, mas, não. Apenas uma parte de mim foi enterrada. De tempos em tempos, morremos em alguns aspectos. Quando uma crise se agrava, pensamos que a finitude completa poderá justificar qualquer falência interna, emocional, profissional, ou física.
Acontece que alguns pedaços são tão difíceis de serem arrancados. São coisinhas que vamos carregando e até desenvolvemos algum afeto por elas. Ainda assim, machucam. Não vamos morrer se dermos as costas à elas. O processo é de renascimento, de encontro com a vida. A felicidade.
Visitei o inferno e fui mandado de volta aos céus. Não pertenço ao lugar. Não me reconheço lá. Sei de mim na leveza, no sorriso largo, na gargalhada alta. Aquela angústia tinha que ir embora. E foi. Não precisei morrer por isso. Tive apenas que matar.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Meu Número Favorito

Semana passada, estava no ônibus no coming back to Niterói,quando, de repente, comecei a ouvir uns versos conhecidos... Era a faixa 'Três' (literalmente) do cd novo de Adriana Calcanhotto que Mary Fê copiou para mim. Não me contive, liguei para contar minha costatação e ela, sorridente, disse: "É... eu´já sabia disso. Ainda bem que não te falei, ia estragar a surpresa (risos)". Eu já gostava desses versos desde que ouvi a versão meio 'Gothan Project' que está no cd 'Lá nos Primórdios'[2006], da autora da música, Marina Lima. Diferentemente de sua versão eletrônica, a de Adriana Calcanhotto está mais easy e libertadora no arranjo do disco 'Maré' - todo cheio de referências ao mar, menina dos olhos da cantora. Delícia. E três é meu número da sorte.

TRÊS
(Marina Lima/Antônio Cícero)

Um
Foi grande o meu amor
Não sei o que me deu
Quem inventou fui eu
Fiz de você meu sol
Da noite primordial
E o mundo fora nós
Se resumia a tédio e pó
Quando em você
Tudo se complicou

Dois
Se você quer amar
Não basta um só amor
Não sei como explicar
Um só sempre é demais
Pra seres como nós
Sujeitos a jogar
As fichas todas de uma vez
Sem temer naufragar

Não há lugar pra lamúrias
Essas não caem bem
Não há lugar pra calúnias
Mas por que não nos reinventar?

Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com seu sexo junto ao mar

quinta-feira, 19 de junho de 2008

La Bella Luna


Tantos atritos, ressentimentos e dúvidas têm revestido esta semana da Lua Cheia. Como um astro sem luz própria consegue ampliar e aguçar tanto os sentimentos? Já ouvi dizer que, quando está cheia, a Lua exerce influências poderosas sob o humor das pessoas.
Com isso, ressentimentos adormecidos ressuscitam; a fome e a sede se tornam vorazes; o ímpeto de falar perde qualquer censura. Vivemos uma espécie de apocalipse mental, que nos joga num poço tão obscuro, molhado. As lágrimas estão todas lá, jorrando como nunca. Os excessos tornam-se permitidos por um instante. A sensibilidade é à flor da pele. Calor e frio se misturam ao longo do dia e da noite.
Já não há mais uma linha tênue para apaziguar as situações: é matar ou morrer. Mas, esse fênomeno lunar acontece apenas uma vez por mês. Se fosse todo dia, talvez não houvesse mais nada a se fazer. Ainda há: podemos, com bom humor e tolerância, perceber como somos vulneráveis às forças da natureza.
Esse desespero vai passar. A calma ainda há de retornar para reconfortar a alma e nos salvar. Basta rir para aliviar.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Agora

Tanto tempo longe de você, blog. Quero ao menos lhe falar... (risos).
Na verdade, queria mudar. Chegar com um elemento novo! Não sei se vou conseguir. Ao menos, estou acertando o que está no meio, em trânsito. Essa sensação é positiva. Às vezes, somos tão utópicos com nossos desejos e pensamentos. É uma linha tênue entre ambição e pretensão. Tem que haver um pouco de tudo, mas com compreensão. Toda a alienação que, vez por outra, ou quase sempre, procura por mim, não chega a ser algo preocupante. Lido bem com isso, com bons dribles. A sensação de estar me movimentando num eixo interessante, de forma sincronizada, mesmo com algum delay, me surpreende agora. Pode ter ficado mais fácil. Ou, então, eu quem descompliquei. Adeus às armas e ao rancor, que agora tudo vibra em furta cor.

terça-feira, 27 de maio de 2008

'Como Envelhecer com Dignidade' by Zeca Camargo

Dei uma passada no blog do Zeca Camargo ontem e encontrei este texto sobre Madonna e REM, dois artistas que eu adoro e que estão completando 25 anos de carreira. Para ler a parte que o Zeca fala sobre o REM, entre outras coisas, basta acessar um poderoso link abaixo deste texto.


"...Então vamos à tal cantora e à tal banda que estão comemorando 25 anos de carreira com novos trabalhos, e que provam que é possível sim, pelo menos no pop, envelhecer com dignidade. A cantora - “dã!” - é Madonna. Pelo próprio barulho que ela própria fez nas últimas semanas com seu “Hard candy”, ficou fácil de descobrir. Mesmo imaginando que, com uma carreira de um quarto de século (adoro colocar dessa maneira… parece tão mais tempo do que “25 anos”…), ela tenha fãs que nem eram nascidos quando do lançamento do seu primeiro disco, qualquer busca por “Madonna discografia” revela que sua estréia foi em 1983. Nessa época, óbvio, eu era não apenas nascido, como já tinha acumulado malícia o suficiente para entender o que a cantora queria dizer com “Everybody, c’mon and do your thing”, no seu primeiro sucesso.
Oficialmente, “Everybody” é de 1982. Hoje um “hit” esquecido, fica talvez difícil, para as novas gerações, entender o quão poderosa essa música era na pista de dança. Não só poderosa, mas diferente - de uma minimalismo que só seria superado anos depois com a inigualável parceria entre Missy Elliot e Timbaland. “Everybody” teria sido, porém, só uma novidade passageira, se logo em seguida não viessem outros sucessos que são, até hoje, clássicos: “Holiday” e “Borderline”. Na “febre Madonna” que tomou conta de todas as FMs da época, era sempre possível ouvir essas três faixas se revezando com outras do mesmo álbum de estréia - “Lucky star”, “Burning up”, “Physical attraction”-, de maneira que, mesmo antes de ela lançar “Like a virgin”, em 1984, Madonna já tinha sua reputação consolidada.
Por falar em “Like a virgin”… Não, não se preocupe: não vou fazer uma “discografia comentada” da cantora - algo que exigiria um fôlego do qual nem eu nem você podemos dispor agora. Aqui e ali neste blog, já pincelei momentos em que “nossa vida” se cruzou (basta digitar o nome dela no espaço “busque neste blog”, aqui à direita, para conferir) - e, para os mais interessado, no meu livro “De a-ha a U2″ descrevo em detalhes como foi meu único encontro cara a cara com ela. Nesses 25 anos, posso dizer que acompanhei Madonna com devoção suficiente para não deixar dúvidas o quanto a admiro - e, por isso mesmo, tenho fortes opiniões sobre cada um de seus álbuns e “singles”. Mas vamos pular essas duas décadas e meia para falar de “Hard candy”, seu genial - ainda que ligeiramente confuso - trabalho mais recente.
Você provavelmente ficou um pouco incomodado com o “ligeiramente confuso” do parágrafo anterior. Explico: ouvi “Hard candy” mais de uma vez, e não exatamente pelo prazer que as faixas me ofereciam. Elas são ótimas, em sua maioria, e oferecem sim aquela já esperada recompensa com a qual Madonna já acostumou seus fãs. O que me empurrou para as audições repetidas foi mais uma vontade de tentar entender para onde as músicas estavam apontando - quais eram as saídas para o pop que ela propunha dessa vez. Afinal, ela sempre vem com suas “descobertas musicais”, como se, a cada álbum, ela pescasse um produtor de vanguarda e proclamasse: “É por aqui!”. Só que, dessa vez, como descobri depois de me debruçar sobre “Hard candy”, Madonna está apontando “para trás”!
E essa é a “ligeira confusão” que ela propõe. Começando com “Candy shop” (a primeira faixa, que é, para mim, uma das melhores) ou com a seguinte, “4 minutes” (que é a faixa de trabalho), as pistas musicais são desorientadoras. “4 minutes” especialmente, já que a presença de Justin Timberlake (o chamado Michael Jackson do século 21) remete a um “rhythm & blues” “circa” 2000/2002, que não é exatamente moderno - sem falar que a introdução da música é, incomodamente, a parte mais interessante dela. Vindo logo depois de “Candy store”, que insinua novidades, “4 minutes” funciona como um agradável anestésico, que te coloca apto - ou apta - a aceitar o que vem pela frente.
Na faixa seguinte, “Give it to me”, tive a certeza de que Madonna queria olhar para o passado, mas não de maneira óbvia. Por exemplo, um pouco mais adiante, em “Miles away”, o convite para adivinhar à qual fase da sua própria carreira ela se refere - não fosse tão divertido se perder nesse labirinto auto-referente. Entre essas duas faixas, a música mais sensual de todo o disco, “Heartbeat”- e quando digo “sensual”, não estou evocando a Madonna de “Erotica”, mas aquela de “Ray of light”, que sabe que o erotismo não necessariamente está na palavra, mas sim no ritmo… E ainda tem “She’s not me” - talvez o “saco de referências” mais completo de todos deste álbum (se não me engano, tem até aquelas cordas de “Kiss”, do Prince, na mistura).
Na segunda metade do CD (sou velho - já frisei bem aqui! - e tenho esse estranho hábito de escutar um disco do começo ao fim), Madonna recorre a velhas fórmulas, em nuances menos ousadas. Com exceção de “Incredible” (que me parece realmente original), ela oferece baladas (”Devil wouldn’t know it”), ritmos latinos camuflados (”Spanish lesson”), uma canção para cantarolar junto com seu iPod (ela era boa nisso mesmo antes dessa geringonça existir - vide “La isla bonita”), e até um típico “filler” - faixa que não acrescenta nada, mas está lá para “encorpar” o disco -, em “Dance 2 night”.
Porém, ressaltando a parte mais interessante do CD, é curioso notar que, mesmo com essa enxurrada de referências “retrô”, “Hard candy” oferece uma sensação de frescor mais genuína do que a maioria das debutantes do pop dos últimos cinco anos (você sabe quem são…). Como disse o sempre instigante Jon Pareles recentemente no “New York Times”, Madonna está de volta para “revitalizar a marca”. Mas, para aproveitar seu novo trabalho, não fique procurando referências como esse fã teimoso - que quase perdeu a chance de gostar de “Hard candy” pelo simples fato de ele ser um ótimo disco..."


http://colunas.g1.com.br/zecacamargo/

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Hoje?

Semana estranha começando. O que parece fora de lugar, na verdade, não está totalmente. Mas faltam ajustes, sim. Às vezes penso que do jeito que está pode ser bom. Mas é uma ilusão. O dia em que ajustes não serão bem vindos ainda está meio longe de chegar. Ainda mais com esse cotidiano cretino tão (des)necessário. Só não podemos evitar o sonho. A resposta vem com ele.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Álcool

É tanto no sangue!
Alivia as tensões.
Vem como gangue
E traz sensações.
Todas que se quiser,
Além do que puder.
Para derrubar
Ou anestesiar
A alma de quem quer
Fugir ou se divertir,
Afundar
Ou sucumbir
Amar
Ou agredir!
É aquilo que guardou
Sem perceber.
Uma dor que ecoou
Mas não desapareceu.
Apenas estourou
Caiu
E se recolheu

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Durante

Tantos dias sem escrever. Tanta falta de tempo para aparecer. Mas foi movimentado. Esses olhos e ouvidos que a tudo observam foram bem servidos ao menos. Estréia de Caetano no Vivo Rio, Deborah Evelyn no 'Jardim das Cerejeiras' de Tchékhov. Acertos e erros. Quanta coisa eu vivi, e bem. Não me desesperei, não fui consumido pela angústia. Permaneci lúcido e sereno boa parte do tempo. Engraçado dizer isso. Quando penso em como costumava ser antes, percebo o quanto mudei. A ansiedade de dizer certas coisas praticamente desapareceu. Não sou voraz no momento de dar alguma opinião ou contar qualquer coisa. E me dou conta disso, o que é melhor. Tive alguns arrepios. Foi a interpretação tão visceral de Caetano nas músicas 'Não Me Arrependo', 'Minha Flor, Meu Bebê' (essa, de Cazuza) e 'Nosso Estranho Amor'. Bonita a participação de Jorge Mautner em 'Eu Não Peço Desculpa', com violino e tudo. A interpretação cuidadosa e sincera de Deborah Evelyn salvou o 'Jardim das Cerejeiras'. A arte é uma coisa que eleva o espírito nessa vida cheia de som e fúria.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Depois da Banda

De volta à rotina, aos compromissos, à notícia. Depois de seis dias offline, tudo parece novo, embora tenha sabor de dejá vu. O corpo tá cansado, as dores marcam presença em algumas partes. O que seria do corpo sem alguma dores, não é mesmo? Cada uma representa um spot que eu carreguei, uma peça do praticável, alguns cabos, malas. A certeza é só uma: o sonho virou realidade. Não sem apresentar percalços, dificuldades. Na verdade, foi tudo muito mágico para mim. O cinema tem essa característica. Estar vivendo em contato com ele eleva a existência de qualquer ser-humano. Seja a minha, a de Dona Detinha - a velhinha que gentilmente cedeu a casa para a filmagem -, ou da cidade de Paracambi, hoje cenário de um curta-metragem. A banda passou e, como na música de Chico Buarque, transformou tudo à sua volta e depois nos devolveu a mesma realidade de antes. Só que com uma nova percepção. Se a vida continua a mesma no trabalho, em casa, ou em qualquer lugar, dentro de cada um aconteceu uma mudança. Foi positivo. Essa é uma compreensão que já guardo em mim. Um projeto tão antigo, tão idealizado, aconteceu. Esparamos tanto por esse dia. Leila esperou por ele, sobretudo. Agora, está registrado na película. Quando eu estava vivendo o despespero na quarta-feira da semana passada, tocou 'Bete Balanço' no rádio do furgão do Geraldo. O verso? "Quem tem um sonho não dança", por Cazuza. A partir dali, tudo ficou clarividente.